Um da Anna, outro da Isabel. Embora curtos, a minha proposta é usá-los como exercício: há algo que possa/deva ser corrigido?
Uma ideia? A organização de uma frase? Uma gralha chata? Algo que pode ser simplificado, melhorado, clarificado?
Amostra 1: Isabel
Uma ideia? A organização de uma frase? Uma gralha chata? Algo que pode ser simplificado, melhorado, clarificado?
Amostra 1: Isabel
Proposta de Tema de
Trabalho
O projecto a desenvolver no âmbito de Tese
de Mestrado em Estudos Portugueses no presente ano lectivo ,
prende -se com a análise de factores sociais e históricos na literatura brasileira e lusófona , em torno dos séculos XVIII e XIX .
Abordarei como tema central a escravatura no
Brasil Colonial , servindo este mesmo de pretexto para voltar a trazer à luz um
dos mais famosos romances de todos os tempos : “ A Escrava Isaura “ .
Esta obra romântica de Bernardo Guimarães
encontra -se bastante esquecida face ao quotidiano dos dias de hoje , tendo
sido por um feliz acaso que me deparei com o surgimento , neste mesmo ano , de
uma nova telenovela brasileira que retrata o tempo em causa , indo focar -se na
prequela da história de amor proibido entre os progenitores da dita heroína .
O português Miguel e a mestiça Juliana são
assim os protagonistas de uma época onde as castas e hierarquias sociais eram
severamente demarcadas com o recurso à escravidão do povo africano , pelo que
temas como o racismo , o preconceito , a ignorância , violência mas também a
esperança e a luta por um amanhã mais justo são as principais estruturas de
toda a acção da série.
Neste
trabalho faço a análise de factores internos entre as duas novelas e
suas respectivas tramas , centrando -me quer nas vidas dos personagens e seus
actos , quer na relação que estes estabelecem em ambas as histórias e o
contributo para o seu desenlace , indo de encontro a fenómenos passados na
própria sociologia e historicidade dos
momentos relatados e revelando uma luta entre ideais esclavagistas e
abolicionistas , bem como importância
que este duelo de mentalidades teve (e tem ainda ) para a construção da
nacionalidade e identidade brasileiras.
Amostra 2: Anna
O projeto da dissertação de mestrado sobre a
construção da identidade cabo-verdiana na literatura das ilhas
Cabo Verde é um país em que durante
séculos misturaram-se várias nacionalidades e várias culturas. Esse ambiente de
“encontro” fez com que surgissem entre os cabo-verdianos muitas dificuldades na
definição da sua própria identidade. A minha dissertação de mestrado vai focar
precisamente o modo como a literatura de Cabo Verde reflete e apresenta os
problemas identitários dos habitantes das ilhas.
O primeiro capítulo vai tratar, do
ponto de vista teórico, da problemática das diferentes definições que se pode
atribuir à identidade, tais como a nacional, a cultural ou a social. Esta
investigação geral vai servir para a análise do resto do trabalho.
No segundo capítulo da dissertação
irei analisar as diversas propostas teóricas de determinar e definir a identidade
cabo-verdiana. Aqui tentarei mostrar tanto os primeiros projetos identitários
cabo-verdianos do começo do século XX, como as múltiplas propostas
contemporâneas.
O terceiro, e o último capítulo do
trabalho vai ser constituído pela análise detalhada de várias obras literárias
das ilhas de Cabo Verde que incluem os motivos mais recorrentes e fundamentais
para a construção da identidade cabo-verdiana. A dissertação vai acabar com as
conclusões finais.
Amostra 3: Alda
Amostra 3: Alda
A ação
do livro “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago ocorre numa cidade e numa
sociedade indefinida. Pode ser em qualquer parte, os personagens sem nome podem
ser quaisquer pessoas, quaisquer de nós e é nesse lugar, também sem nome, que
ocorre uma epidemia de cegueira.
Tudo
começa com um homem que fica cego quando está num semáforo e que fica a gritar
dento do carro: “Estou cego, estou cego,
repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro”.
As
pessoas acorrem em seu auxílio sem perceber o que se passa, falam em o levar ao
hospital e um bom samaritano acaba por o acompanhar a casa, enquanto o cego descreve
o que vê: “é como se estivesse no meio de
um nevoeiro, é como se tivesse caído num mar de leite” e chora, impotente.
Sozinho,
na sua casa, lembra-se da sua adolescência quando jogara ao “E se eu fosse
cego” e até concluíra que a cegueira, apesar de ser uma desgraça, até poderia
ser suportável, desde que se mantivessem as memórias das cores e das coisas.
Naquele momento compreendeu que nem na sua própria casa conseguia mover-se e
acaba por se ferir numa jarra que se partiu. Desistiu de tentar fosse, até ser
encontrado pela mulher.
A
mulher não acreditava nem percebia o que se passava mas acabou por o levar ao
médico, que ficou tão perplexo como ela e não conseguiu encontrar qualquer
justificação.
Entretanto
o bom samaritano que, afinal, lhe roubara o carro, debatia-se entre o medo do
que tinha visto e a consciência do ato que estava a praticar.
----------------------- estas folhas são novas
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Entrou
num crescendo de angústia e, também ele, acabou por cegar. Depois foi o médico
e, a seguir, outra cliente do médico que estava na sala de espera quando o
primeiro homem lá estava, a rapariga de óculos, uma prostituta, que cegou
quando estava com um cliente. Os casos espalharam-se ainda sem que alguém se
apercebesse do que estava a acontecer.
O
médico tentou avisar o governo e os colegas mas era difícil de acreditar e, só
quando os outros casos foram conhecidos é que houve reação. A partir destes
momentos iniciais, a cegueira comporta-se como uma epidemia e alastra
rapidamente, por todo o lado, sem poupar ninguém. O governo decide colocar as
pessoas infetadas de quarentena, numa tentativa de conter a epidemia, o que não
resulta. Depressa todos os que tinham contactado com o primeiro cego foram
afetados, exceto a mulher do médico que, na ambulância chamada para o
transportar, alegou cegueira, para poder acompanhar o marido. São enviados para
um manicómio abandonado. Ao longo do livro vai ser ela a assumir o papel dos
olhos dos leitores, perante os comportamentos daqueles que, diminuídos pela
falta de visão, vão ver diminuídas a sua dignidade e os seus valores, até ao
nível mais baixo de uma condição que dificilmente ainda poderia ser chamada de
humana.
A
princípio eram quatro cegos, entre os quais uma criança, e a mulher do médico,
que não podia revelar que não era um deles. Cedo começaram as dificuldades. A
primeira discussão derivou das acusações ao ladrão que tinha sido capaz de
roubar um cego que, por sua vez, culpava o médico pelo que tinha acontecido. Tiveram
de lidar com as dificuldades básicas, como encontrarem a casa de banho ou circularem
pelas instalações. Na manhã seguinte começaram a chegar mais cegos e tudo começou
a piorar. Andavam pelo edifício agarrados uns aos outros, ou com um lençol
atado ao tornozelo, como se de um labirinto se tratasse pois, na verdade, para
eles, era um labirinto de corredores e dormitórios. Com o passar dos dias, as
disputas agravavam-se e a sujidade e a degradação iam-se instalando, ao mesmo
tempo que a sua humanidade se ia perdendo.
Saramago
não poupa os leitores e leva-os através de uma narrativa de lutas por comida,
atos de violência e mortes. O abandono e a consequente desumanização e perda de
dignidade levaram aqueles que antes eram polícias, motoristas de táxi,
empregados de escritório, escritores, ou qualquer outra coisa, isto é, pessoas,
a ter atitudes primitivas e animalescas que antes seriam impensáveis. Descreve
o assumir do controlo, a tomada de poder, pelos dominadores e as vergonhas,
humilhações e embaraços dos dominados. Também há personagens que revelam compaixão,
coragem e capacidade de ternura, mas os horrores descritos sobrepõem-se pela
sua intensidade. A necessidade e o desespero são tão fortes que até a mulher do
médico chega ao ponto de matar para se defender e defender os que dela dependem.
Um dia
juntou-se ao grupo o último dos pacientes da sala de espera. Não se sabe se
tinham passado dias ou meses, porque toda a história é contada sem dar ao
leitor referências temporais. O velho tinha cegado e sido levado para ali, tal
como os outros, mas tinha estado tempo suficiente lá fora para ter visto muita
coisa. Contou, por exemplo, que, no início, o medo lá fora era tão grande que
tinham começado a matar todos os que ia cegando, numa tentativa de evitar o
contágio.
As notícias
tinham-se começado a espalhar quando já havia uma centena de casos. O governo
tinha arranjado hipóteses e explicações disparatadas para justificar a situação
mas a verdade é que não se sabia nada. A epidemia tinha alastrado e
intensificado o envio dos cegos para todos os locais disponíveis. Os
transportes estavam caóticos e espalhado por todo o lado, porque as pessoas
tinham deixado de os usar depois de um motorista ter cegado ao volante.
Tinha
trazido um rádio com ele. Descartando as possíveis notícias, que não queriam
ouvir, choraram juntos ao som de uma canção.
------- ainda não acabei
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